Nesse filme “A Primavera de Clarisse”, sinto que a poesia como imagem poderá falar mais alto, e isso me deixa na expectativa. Por ser algo que não agrada a todos, mas que me agrada muito.
Aprendi a admirar esse tipo de linguagem cinematográfica, assistindo filmes europeus. Principalmente o espanhol (meu favorito). No inicio não é possível compreender o que eles querem passar, pode se tornar algo angustiante. Mas é preciso se deixar “tocar”. É isso que temos que fazer, para admirarmos esse tipo de cinema. Temos que notá-lo, senti-lo e assim nos apaixonarmos.
E é isso que sinto com a história de Clarisse, eu a conheço, eu a sinto. E dessa forma me encantei, mesmo antes de vê-la se transformar em imagem.
"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
- Fernando Pessoa -
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