Há duas semanas passadas filmamos A Primavera de Clarisse. Por parte da direção tivemos duas semanas de uma tentativa sem sucesso, de descanso do filme. Pensamos em descanso, pelo excesso que foi todo o processo, que passou a bloquear as idéias, as soluções. E pensando que partiremos para outro processo de mutação com o filme (a edição), queríamos ter mentes frescas. A falta de sucesso, é devido a nossa ansiedade de assistir o material. Entre outras coisas, deveras particulares. Portanto aquilo que não se pode esquecer não se esquece, talvez se escreve, como vou tentar fazer, omitindo muitas coisas, ou somente permanece na memória.
Pensando a experiência como uma tentativa, fomos realmente vitoriosos. Não somente nossa equipe, mas todos que por alguma vontade em comum resolveram se juntar a um grupo de TCC e realizar um curta-metragem. Vejo dessa forma porque realmente tentamos ser uma equipe, tentamos agir coletivamente, tentamos respeitar o outro, tentamos partir do conceito de arte coletiva. Mas apenas tentamos, não chegamos a conseguir. Pensando em experiência como prática da vida, acho muito relevante chegar ao mercado de trabalho carregado por essa memória, de conflitos, de expectativas mal sucedidas...Isso com certeza será um reflexo do que não queremos nunca mais repetir. Tudo isso que estou mencionando não será impresso nas imagens do filme, nem mesmo no making of, mas vale ser refletido. Ao desabafar nossos problemas para a nossa colega de sala Virginia ela mencionou “nunca mais faremos cinema tão apaixonados”. Achei bonito, mas muito curioso o que ela disse, por que me incomoda a palavra “apaixonados”. A paixão pelo cinema, a meu ver não se vem da prática de fazer cinema. Ninguém conseguiria se apaixonar pelo caos de um set de filmagem, conseguiria? Para mim a paixão pelo cinema vem através da recepção. Por isso que talvez muitos de nós (assim espero) poderemos apaixonar pelo curta A Primavera de Clarisse, e por algum instante pensar que tudo deu certo.
O que faz do “grupo da película” (como se referem a nós), um passo a frente da experiência dos outros grupos (isso a meu ver). É que conseguimos aplicar a pesquisa realizada na prática. Portanto se não conseguirmos mostrar aos “banqueiros” o individualismo do jovem contemporâneo no filme, contamos nossa experiência. Lembro-me, rebuscadas são as experiências de memória, cada instante que vivemos os conceitos de Dumont, Geertz e Sahlins no nosso projeto. Levantamos a bandeira desde o inicio argumentando na nossa justificativa que o tema dialogava com o grupo. E assim foi. Somos jovens individualistas do séc XXI. Prezamos a nossa liberdade, por isso foi tão difícil conviver com o outro, somos um grupo homogêneo em seu discurso, prezamos a especialidade capitalista, e no final de tudo saímos cheios de mágoas e rancores porque temos facilidade de romper com os laços afetivos.
“Assim como a cultura nos modelou como uma espécie única- e sem dúvida ainda nos está modelando- assim também ela nos modela como indivíduos separados. É isso o que temos realmente em comum. – nem um ser subcultural imutável, nem um consenso de cruzamento cultural estabelecido.” (GEERTZ, 1989)
PARABÊNS E OBRIGADA EQUIPE TCC 2009!
Lembrando que podemos continuar postando, ou abandonar este blog, e podemos fazer desta uma decisão coletiva. Eu, preferia continuar a postar, mas como não vivi a experiência sozinha, não gostaria de ser a única a escrever sobre ela.
Ana Carolina Soares
terça-feira, 17 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
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Queria escrever hoje. Tenho muito a dizer, mas não vou conseguir expressar neste momento tão tenso. Li coisas legais esta semana. Dentro do onibus, só dentro do ônibus consigo ler...
"A partir do momento em que sonho ao dormir, é-me impossível esquecer que existo, que um dia já não existirei"
"A partir do momento em que sonho ao dormir, é-me impossível esquecer que existo, que um dia já não existirei"
Pierre Reverdy
Neste momento de caos no pensamento, Anjos Caídos e Se nada mais der certo, me abriram portas para a estética de A primavera de Clarisse. Talvez ela reflita sobre seu comportamento individualista, sobre a passagem dessa caótica prmavera em sua vida, sobre sua busca, seu espaço inexistente...
FALTAM 3 DIAS PARA AS FILMAGENS...
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
o filme que estamos fazendo e o filme que estão fazendo...
Há muito tempo não escrevemos, não é por falta de assunto, mas é por falta de tempo...Respiramos, comemos e dormimos "A Primavera de Clarisse". O processo está intenso, penoso, cheio de problemas. Temos reuniões urgentes e urgentíssimas a todo momento. E "o tempo não pára", faltam 07 dias para as filmagens. Ainda procuramos locação, ainda procuramos ator. Estamos em processo de ensaio com o elenco, de teste de câmera, de prova de figurino, de fotoboard, é tudo assim, junto e misturado. Estamos também em processo de rever o roteiro. Sabiamos desde o inicio que ia ser uma nova experiência, mas chegamos a um ponto que jamais imaginei viver. Estamos fazendo um cinema de produtor e não de autor. Isso me parecia uma realidade tão distante. Bom, mas vamos lá, talvez o filme que eu quero fazer não seja o exibido na tela. É um filme do sistema...e um sistema imaturo e cheio de falhas. Continuamos caminhando, talvez o prazer passe a ser obrigação, mas só espero que no filnal os problemas possam ser encarados e não remediados pelo extase do filme...
Hoje tenho a certeza que a magnitude de pensar e realizar o cinema, só é possivel lendo Bazin, ou assistindo a um filme de Antonioni no conforto do meu lar...
Ana Carolina Soares
Hoje tenho a certeza que a magnitude de pensar e realizar o cinema, só é possivel lendo Bazin, ou assistindo a um filme de Antonioni no conforto do meu lar...
Ana Carolina Soares
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
SINOPSE
Clarisse, uma jovem de 22 anos, recebe do pai a noticia que sua mãe faleceu. Retorna dos EUA para o Brasil, reencontra com o pai Gilberto, 55 anos, e com a filha Júlia, 04 anos, que deixou com os avós quando saiu do país buscando sucesso profissional. Seu quarto está ocupado por Júlia, a menina é indiferente a sua presença. Elis, uma amiga de infância, não compartilha mais da mesma cumplicidade. Clarisse deslocada procura a memória das fitas VHS da família, procura as baladas de Belo Horizonte, e procura se integrar assumindo despreparada, responsabilidades. Insatisfeita com a perda de sua liberdade e independência, vai recriando a seu modo um novo álbum para aquela família desfragmentada.
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