Eu estou exercendo as funções de roteiro, junto com o Cacá e a Mary, a direção junto com o Cacá e produção de elenco, junto com o Gabriel.
O processo desde o início, quando se iniciou o projeto teórico é de muitos questionamentos. Isso é uma característica minha, portanto também pode ser a forma que eu vejo e penso esse processo. Questionar é saudável, não é uma característica da juventude contemporânea, mas é adjetivo para a juventude. As escolhas no cinema precisam fazer um sentido mesmo que partam do experimento. E esse sentido que nunca será o mesmo do realizador para o espectador, é um grande guia para a finalização da obra.
Desde o início da escrita do roteiro passamos por várias fases, em que fomos desentrosados, entrosadas, improdutivos, produtivos e etc. Cheguei várias vezes a questionar bastante se três cabeças funcionariam melhor que uma para redigir um roteiro. E por várias vezes, cheguei a certeza que isso não daria certo! O que teria em comum para escrever em uma história, três pessoas que só compartilhavam três anos de faculdade? E assim foi a primeira etapa de escrita do roteiro, um verdadeiro desencontro, uma experiência de começar a conhecer o outro com quem compartilharei palavras, durante muitas tardes nesta faculdade. Não diria que foi improdutiva essa etapa. Muito pelo contrário, saímos certos de que tínhamos um conflito, que queríamos falar dele e que estávamos insatisfeitos com tudo que escrevemos sobre aquele conflito. Acho que essa certeza sobre o conflito foi motivadora para nossa defesa no projeto técnico. Nesta primeira etapa também surgiram bons debates. Um deles sobre as possibilidades e impossibilidades de contar uma história em um curta-metragem. Questão de narrativa e linguagem cinematográfica mesmo. Ficamos presos no momento. E ainda acho que é isso! Um curta-metragem é a possibilidade de contar um fragmento, uma passagem. Não sei se estou sendo objetiva, mas um exemplo disso que quero falar é o filme Décimo Segundo do Leonardo Lacca, PE. Isso é até uma boa discursão para esse blog. Quem quiser comentar o assunto seria bem vindo, pois ele é a meu ver, bastante pertinente e inacabado para nós, jovens realizadores. Dando continuidade ao processo de roteiro, conseguimos o direito de filmar a película. Ótimo! E agora como dizer aos demais membros da equipe, que já estavam presos as responsabilidades de seus departamentos que estávamos insatisfeitos? Que aquela não era a história que queríamos contar? Que era apenas um início. Não precisou muito esforço, estava estampado na cara de cada um dos roteiristas a insatisfação e a sensação de fracasso. Foi em uma “terapia de grupo” proposta pelo nosso orientador Sânzio Canfora, que conseguimos aliviados, um recomeço.
Durante o período de férias não desenvolvi muito sobre o roteiro, mas pensei bastante, fiz muitos rabiscos e, sobretudo recorri aos livros. Estava certa sobre um novo caminho para o conflito, mas isso implicaria mudar bastante, o que já tinha sido escrito. O melhor de tudo era que nós roteiristas concordávamos nas mudanças. Foi em um mês que muitas coisas mudaram neste processo. Produzimos bastante, entrosados e com a participação da equipe, que comentou as escolhas desde a escaleta desta segunda etapa. Agora no terceiro tratamento o roteiro agrada. Não a gregos e troianos, mas agrada. A satisfação está por ter sido um processo realmente coletivo. Que no início pensava ser impossível.
domingo, 27 de setembro de 2009
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